Em tempos de Lei Seca
Por Ricardo Lucas em 21.08.2008 : : 11h21
Na quarta-feira (20) fez dois meses que a Lei Seca entrou em vigor e seus efeitos trouxeram resultados rápidos na cultura noturna em todo o país. Por enquanto os maiores índices de mudança são fatores econômicos. Victor, proprietário da Blue Space, contou que em São Paulo a redução do faturamento do bar da casa chegou a 15%. Já na filial de Brasília, onde público é mais acostumado a sair de carro, a perda chegou a 30%.
“Acredito que, em parte, isso incentiva as pessoas a consumirem substâncias ilícitas já que elas não são acusadas no bafômetro. Mas quem faz uso dessas substâncias fica em igual estado ou até pior oferecendo semelhante risco para a população”, comenta. Outros empresários da noite brasiliense também confirmaram a perda no faturamento.
Lindomar Oliveira que fornece bebida para produtores como Lili Santana, afirma que houve um aumento de quase 40% na venda de garrafinhas de água e cerca de 50% nos refrigerantes consumidos durante a noite. O pico de venda está no meio para o final da noite. Curiosamente aumentou também a venda de pirulitos e balinhas durante as festas, talvez na expectativa de se enganar o bafômetro.
Vários tipos de soluções estão sendo buscadas pelo empresariado local para contornar a situação. A ‘escolta amiga’ já foi oferecida em festas de Marcelo Augusto e também estará presente no itens oferecidos por Fernando Toledo para a Fun Army no dia 6 de setembro. Virou regra também acionar uma rede de rádio-taxi que fica atenta ao fluxo de saída do público das festas.
Na mudança de comportamento, a estratégia mais acolhida foi a do ‘amigo da vez’. Difícil é organizar a carona da melhor forma, sabendo das grandes distâncias em Brasília. Outra novidade foi o aumento da venda das cervejas ditas ’sem álcool’, que também é uma boa opção para o amigo da vez que não quer deixar de estar com o copo na mão enquanto os amigos bebem. Vale lembrar que este tipo de cerveja tem um teor mínimo de 0,5% de álcool e em quantidade pode ser pego no bafômetro. Sua venda também é proibida para menores de 18 anos.
Outro reflexo econômico é que se estima que o setor de bares e restaurantes perdeu 60% dos clientes. Ao todo, 500 funcionários foram demitidos e outros 500 já estão de aviso prévio segundo dados do Sindobar do DF. Em contra-partida estima-se uma redução de 13% no número de acidentes e morte no trânsito, uma economia para os cofres públicos de mais de R$ 50 milhões em gastos com as emergências médicas.
Desde o dia 20 de junho, a Polícia Rodoviária Federal apreendeu 48 carteiras de habilitação, 29 motoristas foram presos e 474 motoristas foram multados em todo o DF. A tendência é aumentar a fiscalização com a compra de novos bafômetros.
…que no meio gay há muito uso de drogas!